Hedge é uma operação montada para PROTEGER uma posição ou carteira contra movimentos adversos — um "seguro" financeiro. Em vez de desmontar a posição principal, o operador abre uma posição contrária correlacionada: se o cenário ruim se concretizar, o ganho do hedge compensa (total ou parcialmente) a perda da posição. O conceito nasceu no mercado de commodities (produtor travando preço da safra) e hoje permeia tudo: carteiras de ações protegidas com índice futuro ou opções, importadores travando dólar, traders protegendo posição em evento binário.
Hedge não é um setup de entrada, mas uma técnica com decisões objetivas:
Fortes: permite atravessar eventos de risco sem desmontar posições; custo conhecido (opções) ou baixo (futuros); flexível — protege ações, moeda, juros, commodities; reduz a variância do resultado e o estresse emocional. Limitações: custa dinheiro ou limita o ganho — proteção permanente tende a anular o retorno; hedge imperfeito (correlação não é 100%; beta muda) deixa risco residual; complexidade operacional (margem, ajustes, vencimentos, rolagem); erro de tamanho transforma proteção em nova exposição.
Um trader carrega carteira de R$ 300 mil em ações brasileiras e não quer desmontar antes de uma eleição apertada no fim de semana. Compra PUTs de BOVA11 no dinheiro com vencimento após o evento, gastando ~1,5% da carteira em prêmio. Cenário 1: o mercado abre segunda em queda de 6% — a carteira perde, mas as PUTs multiplicam e compensam a maior parte. Cenário 2: o mercado sobe — ele perde o prêmio (o custo do seguro) e a carteira valoriza. Nos dois casos, o resultado ficou dentro do planejado: era proteção, não aposta.